quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

Aquele dia de praia no verão de 2014



Aqueles dias de praia com filhos pequenos ficarão na memória durante muitos anos, mas não necessariamente por causa das longas sestas que dormiram, do bronze fantástico com que ficaram ou dos bons livros que leram. Férias com filhos pequenos podem ser ASSIM. Com tudo o que isso implica na vossa vida, na vossa capacidade de raciocinar em condições e na vossa relação com os outros. Nomeadamente com a pessoa com quem dividem o tempo de férias e o resto do dia-a-dia - quem nunca discutiu à séria ao quarto dia de férias que atire a primeira fralda. 

Mas depois... Depois há aqueles momentos que ficarão para sempre guardados na memória. E naquela fotografia. Como esta, com a minha filha de seis meses, que adormeceu a caminho da praia. E eu ali fiquei, a respirar devagar e a mexer-me pouco, para garantir que a rapariga fazia uma sesta em condições. 

segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

"Relaxa"


Frases com elevado potencial de provocar irritabilidade do outro lado: "Relaxa, estás a exagerar".

Férias com crianças? Quais férias?



Vocês percebem. Vocês, pais, percebem. E vocês que ainda não têm filhos vão perceber, um dia: crianças e férias podem ser duas contradições. A questão não está exactamente nas férias. A questão está no descanso que habitualmente gostamos de associar às férias. Não se trata apenas de não trabalhar. Não se trata apenas de não ter horários para cumprir, chefes para aturar, objectivos para atingir. Não. Nas férias queremos tudo isso e ainda a possibilidade de dormir até mais tarde. De talvez fazer uma sesta. De relaxar a ler um livro.... Pois bem, com filhos, isso é impossível.

E se os filhos forem pequenos, é ainda mais difícil. E se as férias forem de praia, então esqueçam. Com os horários de exposição ao sol das crianças, o protector solar com que é preciso besuntá-los, os brinquedos que não podemos esquecer, as toalhas, o lanche a meio da manhã, as garrafas de água, os dois chapéus-de-sol, os calções secos para trocarem antes de saírem da praia, etc, etc, etc... Com tudo isto, as saídas de casa de manhã podem ser um verdadeiro suplício. Uma carga de nervos tal que só apetece chegar rapidamente à praia, estender a toalha, abrir o chapéu e cair no mar... para voltar rapidamente para a toalha para brincar com eles, ir buscar baldes de água, dar dois berros para saírem do sol e manter a pestana aberta para o bebé não comer (muita) areia.

Estamos de férias na praia há uma semana. Vamos ficar mais uns dias. Cada noite que passa, consigo ir para a cama mais cedo. Se tudo correr bem, quando as férias acabarem, conseguirei finalmente dormir sete horas seguidas. Mas será uma noite, apenas. Se não for cortada com alguma das crianças a acordar.



quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Dez mil anos de orgasmos



A reportagem de capa da Notícias Magazine do último domingo é notável. O Dia Internacional do Orgasmo, celebrado a 31 de julho, é uma boa desculpa para o praticar, mas também para recordar como é que o momento de maior prazer sexual foi retratado, analisado, enaltecido, escondido, temido ou venerado ao longo da história da humanidade. Das pinturas rupestres à internet. O texto é assinado pelo jornalista Pedro Marta Santos.
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"Bendito orgasmo. A nossa vida é determinada por ele: o orgasmo que nos colocou aqui, pobres bípedes; o orgasmo adolescente que marcou a nossa vida madura; o orgasmo adulto que consumou a nossa paixão; o orgasmo que manteve o nosso namoro; o orgasmo que moldou o essencial da graça, e uma fatia da personalidade, dos nossos filhos; o orgasmo que nos terminou com o casamento (este texto é como o prazer: existe um pano de fundo moral, mas não há moralismos). Aquele orgasmo mais pujante que nos interrompeu de vez o coração (se os franceses chamam la petit mort à melancolia após o orgasmo, nós poderíamos chamar bela morte a um clímax fatal).

Pois é: o orgasmo. Andamos todos aqui por causa dele. Com a exceção de um pequeno acontecimento – morrer – e de um grande acontecimento – nascer –, o orgasmo é o momento mais importante da existência humana. Resultado: todas as atividades criativas, ancestrais ou modernas, deveriam refletir essa importância. Mas isso não acontece. Porquê? Antes de mais, porque o poder instituído – todo o poder, do militar ao eclesiástico – tem um medo louco dos orgasmos.

Deixai ir a eles as vossas filhas



Eu tinha 23 anos, já trabalhava, tinha o meu ordenado e o meu carro. Por isso, não precisei de autorização dos meus pais. Bastou comunicar-lhes. No dia marcado, eu, a minha namorada e dois amigos, com o velho Fiesta cheio até ao tejadilho, arrancámos para o sul. Destino: Festival Sudoeste, na Zambujeira do Mar.

O verão de 1998 não se vai apagar da minha memória. Curiosamente, não pelos concertos. A Wikipedia garante que os The Cure, a PJ Harvey e os Portishead subiram ao palco naqueles primeiros dias de agosto. É possível. Eu não me lembro bem. Confundo-os com os Massive Attack, o Jon Spencer, o Beck, os Moloko ou os Chemical Brothers. Não por causa das sonoridades. Ou dos estilos. Mas por causa do calendário. É que também fui ao Sudoeste de 1999, de 2000, de 2001 e de 2002. Em 2003 não fui. Em 2004 regressei. Não me lembro de todos os anos. Muito menos de todos os concertos. Mas sei que boa parte do adulto em que me tornei nasceu naqueles festivais. E em algumas edições do Super Bock Super Rock. O Optimus Alive só chegou mais tarde, já eu era crescidinho. E os Rock in Rio são espectáculos de música e marketing. Não é bem a mesma coisa.

terça-feira, 29 de Julho de 2014

Cérebro de homem, cérebro de mulher



O artigo, publicado na Notícias Magazine no início de julho, dá conta de algumas diferenças biológicas nos cérebros dos homens e das mulheres - e de como isso explica algumas diferenças de comportamento tão flagrantes. Nada que não tenhamos já todos sentido na pele. Afinal, os homens são mesmo de Marte e as mulheres são mesmo de Vénus? As jornalistas Ana Pago e Carla Amaro ajudam a explicar. 

"Embora partilhem 99 por cento do código genético, os cérebros de homens e mulheres são diferentes. Perceber como funcionam pode evitar muita infelicidade entre géneros.

Vítor Reis, racional e pouco dado a sentimentalismos como a maioria dos homens, teve uma revelação mística da vida a dois parado num sinal vermelho. A namorada, Marta Salavisa, sugeriu-lhe viverem juntos quando o irmão dela foi fazer Erasmus e Vítor ficou sozinho (partilhavam casa). Impreparado para o passo seguinte, ele deu uma desculpa orçamental e adiou. Ela acusou a rejeição, amuou, lidou com as emoções sem dar parte de fraca e prometeu a si mesma nunca mais dizer nada nesse sentido, ele que se amanhasse. Quando, um ano mais tarde, Vítor lhe deu sinal de que estaria na altura de se juntarem sob o mesmo teto, os dois à espera num semáforo da Paiva Couceiro, em Lisboa, Marta só conseguia pensar em como os homens são seres esquisitos e tão diferentes das mulheres, apesar de terem elas a fama. O culpado é o cérebro.

domingo, 27 de Julho de 2014

Conto de Verão - parte III


A fasquia está mais alta. A culpa é da Catarina Beato, autora do blogue Dias de Uma Princesa.

A ideia nasceu com a Mónica Santana Lopes Gautier, autora do blogue A Mulher é Que Manda: um conto de verão escrito por várias pessoas.

A Mónica escreveu a PRIMEIRA PARTE.

Eu escrevi a SEGUNDA PARTE.

Agora a Catarina escreveu a TERCEIRA PARTE:

"A conversou terminou quando Sara e Francisca ouviram o senho Almeida anunciar as melhores bolas de berlim da Manta Rota. Todos os anos Sara, Francisca e Joana brincavam com o senhor Almeida sugerindo que o pregão mudasse para as melhores bolos de berlim do mundo e arredores.

Levantaram-se da toalha de praia num único salto e correram na direcção do açúcar e do creme doce e amarelo atirando areia a todos os que estavam à sua volta. Quando o senhor Almeida pousou o cesto de vime e afastou o pano branco, Sara gritou:

- Joana, também queres?

Perante a ausência de resposta, as amigas olharam em direcção às toalhas e perceberam que a amiga já não estava. Joana aproveitara para fugir para que não a vissem chorar. Queria ter ido para casa mas sabia que os pais, ainda nas arrumações do primeiro dia, perceberiam os olhos vermelhos e o nariz a fungar e fariam muitas perguntas. Joana decidiu andar sem destino para digerir tudo o que sentia."

Leiam este capítulo todo AQUI.