quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Toques com a bola



Depois disto, o conceito de "piscadela de olho marota" nunca mais será o mesmo.




sexta-feira, 18 de Julho de 2014

O meu supercérebro de pai



Escrevo isto no primeiro dia na redação depois da licença parental pelo nascimento da minha segunda filha. Durante um mês, enquanto a minha mulher regressou ao trabalho, fiz o que faz qualquer progenitor, homem ou mulher, com um recém-nascido em casa: mudei fraldas, dei biberões, adormeci, estimulei, preparei refeições, programei as refeições do dia seguinte, fui às compras, fiz máquinas de roupa, estendi roupa, apanhei roupa, lamentei a falta de roupa lavada, adormeci no sofá e queixei-me da falta de tempo para fazer o que quer que fosse, além de «apenas» isto. Em alguns dias consegui tomar banho. Noutros consegui almoçar. Mesmo assim, houve quem me perguntasse, se as «férias» tinham sido boas.

Não fiz nada de extraordinário. Nada que outros pais não façam. Nada que não tivesse feito antes, com a minha filha mais velha. O que mudou, então? Bom, provavelmente o meu cérebro. De acordo com um estudo da Universidade de Telavive, publicado recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, nestes trinta dias tornei-me um fulano mais inteligente.

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Conto de Verão - parte II



A ideia nasceu AQUI. Mónica Santana Lopes Gautier, autora do blogue A Mulher é Que Manda, começou a escrever um conto de verão. Depois de lançar os primeiros parágrafos, lançou também o desafio: o conto será concluído por outras pessoas. O que falta da história não será escrito por ela. Em vez disso, outros bloggers irão continuar o conto. Cada um acrescenta o que quiser, no tamanho que quiser. Só tem de pegar no ponto onde o anterior deixou.

Por isso, aqui estou eu. Eu sou o segundo. Aceitei o desafio que a Mónica me lançou e escrevi a segunda parte do conto. E daqui lanço o desafio à Catarina Beato, autora do blogue Dias de Uma Princesa para continuar.

Para lerem a primeira parte do conto, vejam AQUI

As Férias da Joana (parte II)

“Joana, despacha-te. Já estás acordada?” A voz da mãe trouxe-a de volta à realidade. Ao espelho. À borbulha! Não havia nada a fazer. Não naquele momento. Mais tarde, quando chegasse ao Algarve, logo pensava como resolveria aquele problema enorme. Aquela catástrofe. A Francisca devia ter uma base qualquer que ajudasse. A mãe de Joana sempre achara que era muito cedo para a filha se maquilhar, mas teria de abrir uma excepção neste caso. Era só o que faltava, deixar que o Paulinho a visse naquele estado.

sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Conto de verão




Olha, fui desafiado para co-escrever um conto de verão.

Esta é a primeira parte do conto. Eu vou escrever a segunda. E parece-me que isto precisa de ser um pouco mais hardcore. Esta Joana vai levar um abanão tão grande que nem sabe de que terra é... Pobre moça...


quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Escrever


 
E, então, porque não podemos viver de outra maneira, continuamos a escrever. E cai-nos o cabelo e apodrecem-nos os dentes, como dizia a Flannery O’Connor. E não telefonamos nos anos, nem aparecemos nos churrascos, nem vamos ao café ao sábado. E, se vamos, a única coisa de que falamos é disso: do romance. E tudo aquilo sobre que se conversa pode eventualmente servir para o romance, caso contrário não nos interessa. E somos uns chatos. E somos maus maridos e maus filhos e maus amigos e maus vizinhos. E sentimos uma culpa horrível, e sentimo-nos indignos de estima, e sentimo-nos incapazes de nos estimarmos. E continuamos, mesmo assim, a não responder quando falam connosco. E não cortamos o cabelo, e temos de fazer um esforço para mudar de roupa, e pomos lembretes no telemóvel para tomar os antibióticos e para tratar do cão à hora certa. E na verdade não cuidamos da nossa saúde, e não pagamos contas, e esquecemo-nos de pedir a garrafa do gás, e calçamos meias de pares diferentes, e não ajudamos com o jantar, e de repente queremos fumar quatro maços de cigarros e beber meia garrafa de uísque sozinhos no jardim, a olhar para a noite e a chorar. E somos os maiores quando um parágrafo nos sai bem e ficamos de rastos quando não encontramos um verbo de que precisávamos. E sabemos que tem mesmo de ser assim, porque se não for o romance sai uma merda. E sentimos culpa na mesma. E conduzimos depressa de mais, e conduzimos devagar de mais, e não tiramos o boné ao cumprimentar – e esquecemo-nos do nome de pessoas, e arranjamos problemas com as Finanças, e bem vistas as coisas é uma sorte chegarmos vivos ao fim do dia, e às vezes acontece até não chegarmos. E queremos desistir, e queremos ser canalizadores, e queremos ser amigos, e queremos ser filhos, e queremos desistir, e queremos desistir, e queremos ser maridos e pais e atenciosos. E, quando ainda não perdemos de vez a esperança, escrevemos coisas como esta em que nos justificamos por sermos maus maridos e maus filhos e maus amigos e maus vizinhos, e por não telefonarmos nos anos, nem aparecermos nos churrascos, nem irmos ao café ao sábado. E exageramos imenso, claro. E cai-nos na mesma o cabelo e apodrecem-nos na mesma os dentes, como dizia a Flannery O’Connor – e tem mesmo de ser assim, porque se não fosse também não valeria a pena ter chegado aqui respirando, e desculpem.


Ver todas as receitas aviadas por este farmacêutico

terça-feira, 8 de Julho de 2014

Back to work


Fraldas, biberões, refeições, estender roupa, apanhar roupa, preparar refeições, pensar nas refeições do dia seguinte, ir às compras, adormecer uma, adormecer a outra, adormecer eu (de cada vez que aterrava no sofá), brincar com uma, entreter a outra, ir às vacinas, tirar o cartão do cidadão da mais nova, voltar ao supermercado porque esqueci as os iogurtes. Ou as Blédinas. Ou as fraldas. Pelo meio, lamentar que ainda ninguém tenha inventado uma maneira de as embalagens de toalhetes avisarem quando restar apenas meia dúzia. Entretanto, ensinar a mais velha a tirar fotografias com o telemóvel do pai (esta selfie foi tirada por ela).

Foi isto. Durante o meu mês de licença partilhada, enquanto a mãe voltava ao trabalho. Um dos melhores meses da minha vida.

E agora, back to work.

As amigas da namorada: esse clássico fetiche masculino



– Posso contar isso?

– Contar a quem?

– A toda a gente. É divertido de mais pa­ra não partilhar.

– Não, não podes contar. A não ser à tua amiga Carla. Para ela saber o tipo de gajo que tem.

– Ela sabe o tipo de gajo que tem.

– Não sei se sabe. Quando gostamos de alguém não reparamos nessas coisas.

– Reparamos, reparamos. Se tu olhasses para alguma das minhas amigas com von­tade de lhe dar uma trinca, julgas que eu não reparava?