segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Os opinadores profissionais do Facebook



Não é uma reflexão nova, mas é sempre atual. E quem frequenta, com alguma assiduidade o Facebook, o Instagram ou o Twitter acaba por pensar nisso. Será que nos expomos demasiado nas redes sociais? Mostramos coisas demais das nossas vidas?

Tenho estas dúvidas quando coloco no Facebook uma fotografia das minhas filhas ou do robalo grelhado que comi ao almoço, quando partilho o nome do livro que estou a ler, quando desabafo sobre o vizinho da frente (e mostro a rua), quando atualizo o meu estado, identificando também o local onde estou. Se chego à conclusão que sim, que ando a revelar demasiado sobre a minha vida, arrepio caminho e lá transformo aquele postem qualquer coisa que diga menos sobre mim, que mostre menos a cor e marca do meu carro, que não escarrapache de forma tão evidente os rostos das minhas crias.

quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Dos amigos



Amo os meus amigos com paixão. Com ciúme. Com doença. Os meus amigos são o meu património. Não tenho outro. E esta forma de paixão por vezes o que traz é solidão. Esta forma de paixão traz pouco mais do que isso quando estamos longe.

Nunca estamos verdadeiramente preparados para a ausência dos amigos. Um dia vamos embora e achamos que os amigos vêm connosco. E não vêm. Nunca é assim. Não acontece assim.

E os dias passam, uns a seguir aos outros e com eles aproxima-se a data do reencontro. E voltam as borboletas na barriga. E voltam as mensagens, as promessas, as combinações. E dorme-se ansioso pela data da partida. E dorme-se inquieto com a expectativa. E fica-se com um pé lá e outro cá e com a cabeça em lugar nenhum.

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

O medo. O medo é que nos faz fortes


                                                                                                   in Jornal de Notícias

Passa hoje um mês desde aquele sábado em que ficámos a saber, pelos rodapés nos noticiários, pelos diretos a partir do local, pela rádio, pelas redes sociais ou porque o vizinho ou o empregado do café comentaram, em choque. Foi há um mês, o dia em que o cabo da Roca se tornou o alvo da atenção, o foco da incredulidade, a razão das orações. Foi há um mês que Hania e Michal Mackowiak morreram. Foi há um mês que, segundo o jornal El Mundo, o casal polaco terá tirado a última fotografia das suas vidas, já em queda ou em desequilíbrio, cem metros acima do mar. Foi há um mês  ali, «onde a terra acaba e o mar começa» (como o próprio Michal tinha escrito no seu blogue), que a vida deles acabou. Pior: foi tudo à frente dos filhos. Foi há um mês que Leo, de 6 anos, e Sophie, de 5, viram os pais ultrapassar a barreira de segurança, aproximar-se do precipício, à procura do local perfeito para uma selfie poderosa, e desaparecer. Para sempre.

Passa hoje um mês e esta história continua na minha cabeça. Primeiro foi o murro, o soco que me deixou, que nos deixou a todos, de queixo caído. Não bastava a fatalidade do mergulho involuntário, havia – também, ainda por cima, sobretudo – o facto de os filhos terem sido testemunhas.

sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

Do luto no Facebook



Há dias em que me irritam (o excesso, irrita-me o excesso), mas há outros em que me divirto a ver vídeos de gatos no Facebook ou cãezinhos a dar quedas espalhafatosas.

Há dias em que não tenho pachorra, mas há outros em que vejo alguns vídeos, quase até à lágrima, de momentos emocionantes no X Factor espanhol, no Britons got Talent ou até na edição grega do The Voice (e nas respectivas versões portuguesas, também, claro). 

Há dias em escondo do meu feed a malta que partilha os baldes de água gelada e outros em que aplaudo o facto de uma coisa tão inocente servir, afinal, para angariar dinheiro por uma boa causa (mesmo que só uma ínfima parte dos banhos tenha resultado em donativos). 

E há dias em que acho que o luto-em-forma-de-like é uma tolice, mas outros em que fico mesmo impressionado (e não consigo parar de ler) com as manifestações de pesar por uma criança que morreu. O cancro é uma merda. E perder alguém muito próximo porque o cancro a matou é tão terrível. Acreditem que eu sei isso. E sim, há dezenas de mortes de crianças por ano, em Portugal, vítimas de cancro. E são anónimas. Mas ficarmos sensibilizados com uma - sobretudo com o que ela representa - não faz de nós piores pessoas, pois não? 

Vem isto a propósito de alguma crítica (desconforto?) com a partilha de votos de pesar pela morte de uma criança, a Nonô, vítima de cancro, e respetiva onda cor de rosa que se espalhou entretanto. Nada de mal nisso, e cada um faz o que quer e manifesta o se enfado como quer - e isto não é um hate post sobre isso. Mas há dias em que sabe mesmo, mesmo, mesmo bem não ser diferente e ficar impressionado com o que impressiona tanta gente mais. Há dias em que sabe mesmo bem desligar o interruptor da crítica gratuita. 

quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Ao contrário de Nurse Jackie



Às vezes digo, entre amigos: “A infidelidade feminina é muito mais grave e definitiva do que a masculina” – e de imediato me caem em cima o Carmo, a Trindade e o obelisco do Cutileiro, objecto ainda por cima assaz percutante. As primeiras a protestar são as senhoras: que diabo é isso, no século XXI, és um quadrado, vai dar banho ao cão. Os segundos são os homens sedutores, de repente urgentes de capitalizar a minha falta: era o que faltava, nem pensar, os direitos são iguais e os deveres também, eu ao sábado aspiro a casa e tudo. E os terceiros, com excepção de um ou outro abençoado que faz um esforço por divisar o que estou a tentar estabelecer, são todos ao mesmo tempo: mas porque é que uma infidelidade é pior do que a outra, se em qualquer dos casos consiste numa traição, ao outro e a nós próprios, se não mesmo a todo o género humano?

À procura do equilíbrio. Ou aprender a viver sem ele



Dezenas. Todas as semanas cruzo-me com dezenas de trabalhos sobre relações humanas. Alguns na rádio ou na televisão, muitos em jornais e revistas, a maioria na internet. Chego a estes, em particular, de várias formas: através de e-mails de amigos ou colegas, por pesquisas que faço ou porque me aterram no mural do Facebook.

E, depois, claro, há as hiperli gações que levam para outras páginas, onde há outros artigos, com outras hiperligações, que levam para outras páginas. Quando dou por mim, já vi mais uma série deles, numa hora ou duas, entusiasmado de história em história, de estudo em estudo… Acreditem, «dezenas» não é uma força de expressão para acrescentar intensidade dramática. Não os posso ler todos, por falta de tempo, de pachorra ou de confiança na fonte, mas passo os olhos por boa parte deles. De alguns retiro ideias para crónicas, de outros retiro ideias para artigos da Notícias Magazine, de uns quantos retiro gargalhadas. Também há aqueles dos quais não retiro nada e os que me ficam a martelar na cabeça.

quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Calma, isto não desapareceu


Este blogue não está adormecido. Nem anestesiado. Está apenas a preparar mudanças, que serão valentes. Vão ver. :)