segunda-feira, 14 de Abril de 2014

«Mulheres?! Não, pá, eu percebo é de mecânica, não te lembras?»



Nem todos os homens sabem falar de mulheres. Ou melhor, nem todos os homens sabem falar de emoções – sobre mulheres todos conseguem dar bitaites. Na verdade, e para resumir corretamente, nem todos os homens sabem falar. Alguns são francamente melhores a ouvir.

E os amigos deles sabem isso. E têm noção de que este é melhor para ouvir, aquele tem a sensibilidade para partilhar dicas sobre a vida familiar, e o outro a frieza para dar conselhos sobre a forma de falar com o chefe. E aquele lá ao fundo é bom para falar de gajas. Ponto! Talvez alguns sejam bons para conversar com profundidade sobre mais do que um tema, mas é certo que nem todos são bons a dar opiniões sobre tudo. O multitasking, já se sabe, não é coisa de homem, e o domínio de vários assuntos diferentes que moem a cabeça aos amigos e sobre os quais eles precisam de falar, também não. Com o passar dos anos, vamos aprendendo a distinguir. E não há nada de mal nisso, nem significa que gostemos mais ou menos desta ou aquela pessoa. Nós próprios somos melhores conselheiros em alguns temas, e zeros à esquerda cheios de boas intenções noutros. 

sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Sim, claro que o seu marido costuma ver pornografia.



Todos os homens veem pornografia? 
Sim. Alguns, ao ler isto, estarão a responder que não, jamais, nunca sujaram os olhos a ver mulheres e homens nus em sexo explícito. O que é falso! Claro que é mentira. A afirmação teria mais força se houvesse percentagens e números precisos para a nossa (portuguesa) realidade pornográfica. Mas pode-se escrever o seguinte, com uma margem de erro mínima: todos os homens já viram pornografia, alguma vez na vida; a esmagadora maioria já o fez algumas vezes, boa parte vê de vez em quando e muitos (mas muitos, mesmo) veem com frequência. E como é que eu sei isto? Pela pesquisa apurada e séria junto dos meus amigos e conhecidos. E os meus amigos e conhecidos são uns porcalhões depravados com tempo a mais? Nem por isso. São pessoas tão normais como a maior parte dos leitores.

quarta-feira, 9 de Abril de 2014

O maior de todos os clichés



- Ainda não?

- «Ainda não, o quê»?

- Ainda não acabaste o jantar? Estás aqui há tanto tempo. O que é que tens estado a fazer?

- Há tanto tempo?! Estou aqui há meia hora e já arrumei a cozinha e tirei o peixe para descongelar. Vou começar a prepará-lo agora. Não estive parado nem a olhar para ontem.

- Ai não? Tu não arrumaste a cozinha. Tu puseste a louça na máquina. É diferente. E já podias ter tratado do peixe. É para cozer, podes pôr ao lume ainda congelado. Agora ainda vai cozer, ainda vais descascar as batatas, pôr a cozer... ainda por cima as cenouras demoram mais tempo... e vamos jantar outra vez às dez.

terça-feira, 8 de Abril de 2014

O Dia do Pai



Meias até ao joelho de riscas finas em verde. Ténis de "rec-rec” com flores pequeninas, em tons de amarelo e vermelho. “Calças fininhas” em preto, daquelas que ficam mesmo apertadas à perna. Camisa de flores grandes, com cinto rosa-choque e casaco de malha verde-alface. Parece a descrição da Madonna nos anos 80, mas não. É a minha filha num dia em que sai de casa “vestida” pelo pai. 

sábado, 5 de Abril de 2014

Podia ser bonito. Mas é só tonto.



A notícia do Diário de Notícias ESTÁ AQUI.  

E, ainda que não goste de contribuir para o eco destas coisas, há alturas em que não resisto. 

Em 90% dos casos sou adepto do "vive e deixa viver, não te irrites com as patetices dos outros, mas não deixes de gozar com eles de vez em quando (e não te leves demasiado a sério)". Mas isto cai nos 10% que me enervam. Estava a tentar ignorar, mas não consigo. Este culto do corpo e esta coisa do "tão cool que sou porque pari mas não se nota" é um retrocesso enorme para as mulheres. É normal ter estrias, ficarem com o corpo alterado, passarem-se com isso e tentar voltar a estar fit. Chama-se natureza. Não é normal é fazer estas figuras tolas. Tenho um pouco de maus fígados com esta merda, admito, mas acho que passar da ideia primitiva da mulher que engravidava e criava filhos e cuidava da casa para esta ideia moderninha de "vou só ali parir e já volto para o meu treino, é só um instantinho enquanto espeto no Facebook uma foto minha semi-nua para meter inveja às gajas que não passam a vida no ginásio" é apenas ridícula. Tão ridícula. E é pateta dar eco a isto (apesar de ser num dos meus jornais, para os quais trabalho). Vá, agora crucifiquem-me por ser bota de elástico.

PS: E é claro que a Carolina Patrocínio faz o que quer e mostra as fotos que quer. Ainda bem que o pode fazer, ainda bem que ela está bem, ainda bem que o bebé é saudável (e a beber leite materno, mais saudável será). Mas pronto, não deixo de achar isto tonto. 

quinta-feira, 3 de Abril de 2014

Das escolhas e das palavras que ficam por dizer


                       © Gerardo Santos/Global Imagens

Não foi uma decisão fácil. Nem tomada de ânimo leve. Quando, na preparação da reportagem sobre «pais recém-nascidos», surgiu a ideia de eu ser um dos progenitores que dariam o seu testemunho sobre essa condição, comecei por achar estranho. Desconfortável. Ser objeto de atenção pelas minhas opiniões (e emoções), pela minha imagem e pela imagem da minha filha na própria revista onde trabalho e onde tenho responsabilidades editoriais, soou-me muito esquisito. Não se pratica. Não é costume. E, além disso, há aquela velha regra de jornalismo, que lembra, em caso de dúvida, que «jornalista não é notícia». Não é que concorde com a máxima, mas ela existe. 

Depois, porém, as coisas encaixaram-se. As ideias encaixaram-se. Os argumentos encaixaram-se. E eu, que acho que a regra da velha escola deve ser quebrada sempre que se prove que há interesse para o leitor, encaixei também.

quarta-feira, 2 de Abril de 2014

O melhor amigo do homem



Nestes tempos de crise, em que casais desavindos desejam ardentemente verem-se pelas costas mas não têm fundo de maneio (ou porque estão desempregados ou porque ganham miseravelmente) para arranjar o seu próprio poiso, há um elemento do lar que adquire importância fulcral na dinâmica conjugal: o sofá.